۞ _.- mYtHoLoGiKa -._ ۞


26 de Janeiro


Em tarde ser.

Hoje, acordei mais cedo que de costume, disposto a ser melhor.
Tenho vontade de sair de casa vestido em pijama xadrez mesmo, e distribuir gratuitamente abraços afetuosos aos pedestres. Dizer a eles, "vejam, a vida está aí, e não fazemos por merecê-la, vamos vivê-la, meus caros, vamos ser." Não posso: serei considerado um estrangeiro de minhas faculdades mentais. Ou um drogado. Tudo bem.
Há outras formas de ser melhor.
Lavar a louça, por exemplo. Os copos, os talheres, os pratos, as pequenas vasilhas de inox. Tudo tinindo, brilhante como novo. Ponho-me a observar a espuma do detergente de maçã, tão branca, e as minhas faces, milhões de vezes refletidas na lisa superfície das bolhinhas. Como eu amo fazer bolhas de sabão! É tudo tão nostálgico, e simples, e bonito! Inocente.
Continuo o processo. Enquanto percorro o pano seco sobre os utensílios, imagino que será de minha tarde de hoje. Gostaria de sair um pouco, conversar. Mas vivemos num tempo em que as pessoas já não têm tempo para jogar conversa fora; matar tempo. Hoje, temos que resolver nossos tantos problemas do cotidiano, temos que correr atrás de tudo... Correr atrás do tempo. Hoje, ele é que nos destrói. Ou nós mesmos?
Não importa. De qualquer forma, também eu tenho tanto que fazer!
Não haverá tempo para ser melhor.
Ainda preciso arrumar a casa. Varrer os tantos milímetros de poeira que denunciam minha inadimplência de ontem. Ando pelos cômodos e me esqueço de observar alguns detalhes: o design da cama de solteiro, o trabalho da torneira da pia, o brilho do vidro na mesa de jantar. Os rostos das fotografias penduradas pelas paredes. Não os reconheço mais. Será a ação do tempo? Mais uma vez, ele me passa para trás. Corrói a tinta das imagens, corrói as imagens de minha mente. Por que pensar nisso agora, se ainda há tanto pó para se espanar?
Recolho livros do chão, que há muito já não leio. CDs que há muito não ouço. Roupas que há muito não me servem mais. Guardo tudo em seu respectivo lugar. Deixo a claridade do dia entrar pelas janelas, mas já não há claridade. Caiu a noite. Tranco a porta da frente, contemplo e avalio a arrumação recém-completa. Com a casa organizada, consigo pensar melhor.
Mas aí meu dia já se acabou, a louça se lavou, minha casa se arrumou, mas meu pensamento, que fim levou?
Continuo aqui, fora dos meus padrões, como um alheio de si. Continuo tentando achar respostas, mesmo sem saber quais as perguntas. Continuo soluçando, mesmo com o copo d'água a meros quatro metros de meus dedos.
Continuo sem saber o que fazer hoje à tarde.
E a tarde, coitada, já se tornou crepúsculo.

Escrito por Tatá às 10:28:08
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03 de Agosto


Relato de um dia estranho, como os outros.

Quero falar de umas coisas: as coisas. Por que elas são coisas? O que as torna coisas, o que as torna perfeitas? Como as coisas acabam sendo coisas?

Eu queria entender...

Não, não quero entender as coisas: elas não foram feitas pra serem entendidas, apenas observadas e sentidas. As coisas são perfeitas porque são coisas, porque foram criadas por alguém que sabia o que estava fazendo, e que as fez como é a luz do Sol: as coisas nunca erram, e por isso são comuns e boas. São coisas.

Não é isso. Eu quero entender a mim mesmo. Quero saber por que merda de motivo eu sou assim, por que raios eu não consigo me entender, e por que existe essa droga de paradoxo imutável. Quero saber por que eu acordo diferente a cada dia, e por que eu sinto que nunca vou conseguir ser igual às coisas. As coisas, tão perfeitas. São tão belas, que fico maravilhado com elas, e, quando uma coisa, bonita, chega perto de mim... Eu a afasto. Por quê, meu Deus? O que ela e eu fizemos pra merecer essa maluquice que rodeia meus cérebros?

Quero saber como as coisas são, para ser como elas, e quero ser simplesmente alguém que não sabe o que faz, que não erra, que seja comum e bom. Mas não é assim tão fácil.

Quero olhar para mim mesmo no espelho e ler nas minhas rugas a pessoa que eu fui e sou, saber que aquelas marcas foram moldadas por sorrisos, por afetos. Não quero me ver como uma compilação de diferenças, como uma mutação diária que mal se reconhece, por entre cicatrizes de dor, irregular e desfigurada. Quero saber que aqueles olhos são meus, e que eles carregam a doçura que eu gostaria de transmitir, a paz que eu gostaria de provocar, a sutileza do sossego em que eu quero mergulhar e viver. Mas nada é assim tão fácil.

Por um lado, algo lá dentro me diz que, um dia, tudo vai se ajeitar, que a vida ainda vai pra frente, que eu vou compreender esses motivos todos e que o mundo terá sentido absolutamente relativo. Mas até lá, quantas coisas eu vou ter afastado, quantas pessoas eu terei machucado e quantos corações serão dilacerados pela foice da minha ignorância de mim mesmo?

Não sei. Juro que não faço idéia. E isso é horrível...

Mas sou eu. Tenho que continuar, porque tenho que continuar, e a vida é assim. Bola pra frente, porque zagueiro não marca gol.

Mas ainda não me entendo.

Escrito por Tatá às 01:42:11
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20 de Julho


Sol[itário]

[Dedicado ao Sol que ilumina e aquece meu coração.]

 

 

 

 

"Viver é ser como o Sol, que segue seu caminho simplesmente porque é assim que tem que ser.

 É um espetáculo que independe de platéia, sequer de palco.

 Porque assim é que as coisas são."

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

(e tenho dito.)

Escrito por Tatá às 00:38:11
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04 de Julho


Achado, nem bem explorado. Mesmo!

Já tomei meu chá de limão. Já fiz minhas costuras, já chequei os meus recados. Já ouço minhas músicas e meus olhos já pesam. Preciso de alguém pra conversar. Uma distração, sei lá, menos tecnológica ou dissimulada. O que me falta é um abraço.

Escrito por Bito às 05:46:27
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16 de Junho


Depois do sonho e em meio à guerra.

Hoje eu acordei e nem olhei no espelho.

 

Mesmo se tivesse olhado, não reconheceria o que teria visto.

Escrito por Bito às 14:41:39
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26 de Abril


Diário de bordo de uma desventura passional.

Olha... É o seguinte...

Faz muito tempo que eu olho pra você.

E eu não deveria sentir esse coração precipitado disparar só de ouvir sua voz ou te ver, não deveria quase derreter quando te abraço, não deveria me imaginar ao seu lado nem deveria perder a respiração.

Mas acabou de acontecer. ¬¬

 

Droga de nuca...

Pior: as sobrancelhas.

E, por favor, não se revele um intelectual politizado, que daqui a pouco eu não disfarço...

 

Respira e vai. Não há de ser tão difícil.

 

Mais fácil do que imaginava.

Mentira.

 

Verdade.

 

Mentira.

Sempre é, de certa forma ou força, culpa do cheiro. Seu cheiro, até então desconhecido, é bom. Droga!

 

Verdade.

O cheiro nem afetou tanto, foi devaneio de quem quer uma paixão.

 

Queria conseguir te olhar um pouco, não desviar assim o olhar e não parecer tão estranho.

 

Controle seus impulsos. Controle seus impulsos. Controle seus pulsos.

 

Treme e suspira mais. É culpa da solidão e da euforia. Sempre.


Respira e vai. Fui e voltei.

 

E se balbuciar e quase olhar pra mim? E se derrubar o mundo bem ao meu lado, eu devo olhar e ajudar? E se nossas roupas combinarem, as cores e tal? Caraca!

 

Na realidade, eu não posso cantar. Eu não te amo, não te amo de verdade... É só... Sei lá!


A maior da porcaria das ironias é que justamente dessa boca saiu o conselho para não fazer exatamente tudo o que faço. E justamente dessa boca, dessa tal pessoa.

 

Por hoje [não] acabou. Por hoje.

Escrito por Bito às 01:30:17
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20 de Abril


Re-eu.

'

 

Olha... Se você quer saber, é que...

 

Andei por aí, tão fora de mim e cada vez mais dentro do eu, vivendo tanta montanha russa, tanta loucura e tanta noite sozinho que me perdia ao me encontrar. Andei em frente, homerizando e ulisseando, confraternizando com medusas e degladiando ninfas, surpreso com tantas letras [letras?] capazes de f[s]u[r]gir em espiral. Pisei em lamas, em areias movediças, em nuvens e em poças. Elevei corações, dúvidas, medos e abraços. Lembrava de mim a todo momento, lembrava dele e dela a toda hora, lembrava de nós eternamente e, veja lá, lembrei de M por vez ou outra!

Mas o que importa de verdade é...

 

Me reconheci, além dos vagalumes que sorriam nas lentes dos seus óculos, refletidos dos faróis, naquele brilho dos seus olhos, que me disse "Eu não mudei" e que me deu vontade maior que o mundo de ser eu de novo, e melhor: eu fui!... Me revisitei naquele abraço e me reafirmei naquela roda. Bem no fundo, só a intensidade e o modo de oscilar é que mudam, quer saber? Particularidaes e mãos são sempre isso aí!

 

E sempre que dói, que trava ou que machuca, assim no físico, eu penso "Pô! Que direito é esse que você pensa que tem de cogitar? Vai lá com certeza e faz o que você sabe! Num pisa em falso que é assim que tem que ser!"

É que tá tudo tão sonhorealização, pretendidoinesperado, iludidoacordado, presentepresente que meu chão até some uns três centímetros e o coração de sempre meio que flutua de ponta cabeça, com um sorrisão de criança, sabe? Profundo assim mesmo!

 

Lindo demais!

É assim que tudo tem que ser! E se tiver que chorar, que chore! E se tiver que abraçar, que abrace! E se tiver que se entregar, que se entregue mes-mo! Um filme estava passando na minha cabeça, numa situação longe de qualquer coisa parecida com a morte, uma cena por sinapse e uma sensação por fibra. Que feliz que eu fiquei! Cada lágrima sorria, sorria nada, gargalhava de felicidade explosiva! Isso umas duas ou três vezes, um monte de explosão de sorriso, cara! Uma loucura muito boa! E teve aquela também, que mudou pra sempre o jeito de ouvir como tudo é jazz... Uau! Se eu pusesse cada arrepio em uma página, poderia empilhar calhamaços até a lua que...

 

Quer saber!

Saber quem eu sou, não dá. Mas saber o que são pra mim, fica cada vez mais brilhante!

Isso aí!

 

 

 

[Aquele Gabriel Cruz, contente demais e emocionadíssimo por estar de volta! ;) ]

Escrito por Bito às 22:53:50
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19 de Abril


Joker Club

 

Hoje o céu está tão escuro,
e as estrelas tão vermelhepretas,
e o vento tão cinza
e insensível,
que resolvi sair um pouco,
só para espairecer.

Andei subitamente.
Subi as escadas que davam para o meu edifício,
e parei.
Olhei em volta, ninguém vi.
Fiz menção de voltar para o
[incauto]
aconchego do lar, mas fui detido
por duas mãos que, como tesouras de jardinagem,
pinçavam-me o pescoço,
estrangularmente.

Aí, perdi os sentidos.

* * * * * * *

Agora à tarde, o sol resolveu morrer
por detrás dos altos morros
que ladeiam a cidadezinha.
Mudo de canal até perder a conta,
os telejornais, novelas, desenhos,
encartes, publicidades,
documentários, se mixam em minhas pupilas,
perfurando meu cérebro e
destruindo uns milhões de neurônios.
Adoro [odiar] a televisão.

* * * * * * *

Já é noite,
e nem vi o dia se passando.
Correu mais depressa que minhas pernas,
[absurdamente]
já cansadas de tanto
lutar penar vagar.

Estudo as possibilidades.
Analiso hipóteses e hipotecas.
Compro e pago a vista a
suposição mais lenta,
a vilipendiada seqüência
de histórias da carochinha.
Nada de livros, nem fábulas:
só a mais pura mentira.

Falam-nos como se não
ouvíssemos, falam de nós.
Fechamos os poros
para as mais belas astúcias
da vida, mas escancaramos
narinas à presença do carro funerário.
Pobrezinho, tão moço.
Bato com força, mas o caixão
insiste em não se abrir.
Acordo sobressaltado
do cochilo de pesadelos sobre
os relatórios da empresa.

Enfim decido deixar pra depois,
e ir dormir.
Acabo o ciclo da vida,
e aposto todas as minhas fichas em um cavalo magro.

* * * * * * *

Levanto-me sob a orquestra
dos motociclistas da avenida principal.
É cedo, e eu poderia ter
acordado mais tarde,
não fosse por eles.
Mas não os culpo:
ocupam sua posição na
intrincada teia alimentar.
Assim como todos.

* * * * * * *

Hoje é um dia novo.
Pelo menos, eu acho que sim.
Drummond disse, em nota
oficial: (abre aspas)
os pássaros não cantam mais.
os rios não correm mais.
as nuvens não chovem mais,
nem as flores perfumam mais.

Mas, ainda assim, é
um novo dia.
(fecha aspas e ponto final).
Novo dia.
(Sarcasmo)
Então saiamos de casa, aproveitemos
esse novo dia:
colher flores inodoras às margens de um rio seco onde os pássaros mudos não encontram mais nuvens para perfurá-las em vôo.
(...)
Paciência.

* * * * * * *

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

[Imagem: presente para a primeira pessoa que ler este post.]

[I told you all i'd be back.]

[It's WONDERFUL to be back!]

=)

 

[Octávio Pella Legramandi, eu.]

Escrito por Tatá às 01:09:38
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10 de Outubro


Desabafo!

I hate sweet ass!

 

Fuck it.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

[Bye.]

Escrito por Tatá às 13:10:36
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17 de Setembro


[Eu queria saber]

Eu só queria saber quem colocou a vida nessas casinhas de janelas quadradas, luzes baixas e tons pastéis.

Ora, eu também quero uma casa bonita pra morar,
Com uma bela mulher arranjando flores brancas
Sentada no chão ao redor da mesa de canto!

Ora, eu também quero
Um marido charmoso tocando piano
Na sala das estantes cheias de livros,
Com um tapete sóbrio e uma luminária toda amarela!

Desprezo a enojada luz azul da TV velha que reproduz as notícias populares. Cansei dos cachorros de rua e do pavimento irregular. Ora, eu também quero um brasão de armas,
Um sofá do ano com os pés prateados e um retrato meu
Entre as esculturas sobre a lareira!

[A Lua, redonda demais, assiste a tudo de cima por não encaixar-se nas quinas das paredes.]

Escrito por Bito às 18:02:35
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